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1)
os criadores não deveriam concorrer aos mesmos apoios que as entidades de programação. Essa é um das razões que leva a que haja em Portugal confusão e mesmo incapacidade de compreender as funções e responsabilidades dos criadores, distintas das responsabilidades de um programador, levando a que muitos criadores sejam levados a responsabilizarem-se por um espaço.
Se os espaços de criação, residência e os seus apoios respectivos estivessem regulamentados e legalizados evitar-se-ia esse desperdicio de talento, optimização de espaços e optimização orçamental desses espaços incentivando coproduções entre estas duas entidades distintas: criador e programador. Penso que falta atribuir funções de maneira clara e transparente a cada um destes agentes. 2) A nova lei sobre carteiras profissionais Desde 2006 que iniciei um programa de formação no TAGV dirigido a adultos que na altura levou mesmo à resistência por parte da direcção. Até aqui, tinha apenas oferecido este trabalho de corpo a bailarinos profissionais em vários países distintos. Constatei porém que contrariamente ao que era natural noutros sítios; é comum aparecerem pessoas que ensinam dança em vários locais do país mas que não oferecem as mínimas noções básicas no corpo de alinhamento ou de noções de anatomia prática. Dado que o trabalho do corpo lida com um área que pode ser delicada e mesmo propícia a lesões espanta-me esta falta de reflexão e obediência a principios básicos a que o exercício na formação nesta área deveria obedecer. Desconheço a que formação tiveram acesso estes formadores, mas nos países onde trabalhei todos os meus colegas quer bailarinos em companhias quer formadores tinham um BA em artes nas seguintes áreas- coreografia, dança, formador de dança, ou raras vezes teatro mas com experência profissional em companhias de dança . O Ministério do desporto lançou uma mesma reforma na área dos fitness seria talvez boa ideia cruzar com ele informações. Dado que desconheço os dados do país relativos a esta matéria e penso que a REDE também não terá feito um estudo é algo que sugiro. 3) Falta de saber relativamente aos equipamentos adequados a esta área nas direcções regionais e autarquias A minha experiência revela ainda que surpreendemente o Ministério do Desporto tem mais saber sobre -adequação de equipamentos (área do espaço, ventilação, chão em caixa de ar) à prática da dança -manutenção de equipamentos (limpeza, não entrar calçado, não fumar...) do que os agentes culturais do estado: Vereação e direcções regionais, respectivamente. Como é óbvio estes equipamentos na área da cultura são inexistentes pelo menos na cidade de Coimbra. 4) Acesso de profissões liberais a apoios vindos do ministério da Cultura, Mecenato Algo que também me surprende é a possibilidade de se estar fiscalmente registado numa profissão liberal e poder aceder a um apoio que é fundamentalmente dirigido a criadores. Penso que estas pessoas que muitas vezes têm acesso e contacto directo com o poder político e económico poderiam ter um papel preponderante no angariar de mecenato, qual o enquadramento legal, ou medidas para levar a essa efectivação não sei. Gostaria ainda de chamar a atenção que o mecenato em países com capacidade produtividade como a Alemanha existe sobretudo nas Artes Visuais, e não nas áreas performativas, e que é normalmente angariado pelos programadores chegando às companhias ou criações através de coproduções, ou é angariado precisamente por estas pessoas. 5)Público 10 anos passaram e o mesmo: não existe público para a dança contemporânea. A geração de 20 anos desconhece os artistas contemporâneos e não está de modo algum familiarizada com esta linguagem. Medidas copiadas dos labour (neste caso a dos museus) ou do Laban center, não levarão a grandes resultados. Os estudos comunitários revelam enorme discrepânica em todas as áreas sendo que a única que se aproxima é a de público no cinema relativamente aos outros países europeus. A maioria dos criadores portugueses desta área sobrevive porque consegue ter itinerância internacional. Como dar a ver estes criadores ao público português? É uma questão que gostaria de ouvir debatida pelos vários programadores portugueses. Necessitamos pois de soluções criativas e adaptadas, falta apontar as várias razões para estes números. Chamo atenção para o perigo de um discurso que oiço muito o de sermos um país pobre, a relação pobreza=não existência de público não é tão linear, aliás trabalho e trabalhei em países, cidades com esse problema. Uma das cidades mais criativas e com mais público não é Olso ou Zurich nem Franckfurt, mas sim Berlim com as maiores taxas de desemprego alemãs. Serviço educativo é também ter boa programação uma programação que faz sentido e continuada. E é preciso tempo eu diria 20 anos no minimo mas com medidas adequadas mas para isso é preciso saber nºs que desconheço e é necessário reflexão.
Vânia Gala |